O par de chinelos do menino indiano

Durante os 35 dias vividos no pequeno vilarejo de Pushkar, no deserto estado do Rajastão, na Índia, conheci um menino de rua.

Provavelmente condenado pela sua casta inferior na sociedade hindu, ele acompanhava um grupo parecido com ciganos e vivia pedindo dinheiro na principal rua da cidade, próxima do lago sagrado.

O garoto tinha 11 anos e se sobressaía pela esperteza e fluência em inglês. “Aprendi falando com os turistas”, contava o pequeno prodígio.

Encantado pela vivacidade e pelo carisma do moleque, lhe propus um pacto para selar nossa “amizade”: “Vamos ser amigos, mas eu nunca vou te dar dinheiro.” Ele concordou.

Sempre que nos encontrávamos, nos divertíamos contando as novidades e repartindo um pouco daquela energia que ele parecia sugar do sol do deserto para gastar depois que escurecia.

Por falar em escurecer, você deve saber que, nos desertos, a temperatura cai bastante durante a noite. No Rajastão, não era diferente. E meu jovem amigo vivia com uma camiseta horrorosa regata, uma bermudinha e descalço. Por isso, um dia, lhe perguntei se queria um par de sapatos.

Claro que ele quis e lá fomos nós dois procurar um par de chinelos. Ele escolheu o que queria, experimentou e saiu da loja todo faceiro com os pés calçados.

Surpresa

No dia seguinte, no mesmo lugar onde sempre nos víamos, encontrei uma molecada brincando e pedindo dinheiro para os transeuntes, mas nada do meu amiguinho. Seria até normal não encontrá-lo, já que ele corria como um foguete por todos os lados.

Por isso, não dei muita importância, mas, de repente, um outro moleque veio até mim, me apontou o nosso amiguinho, o qual tentava se esconder em meio à multidão.

“Look look! He selling shoes!”, derurou o pequeno informante.

Um dia depois de ter ganhado o par de chinelos, o garoto os tinha vendido e estava novamente descalço…

3 comentários:

Blanche disse...

O que pode interessar para essas crianças? Quem consegue mergulhar nessas cabecinhas?

Elton Hubner disse...

Oi, Blance! Difícil saber... Talvez o menino tenha chegado em casa e sido obrigado a entregar os chinelos aos pais. Ou a vendê-los e levar o dinheiro pra casa. Só sei que aquele menino era muito esperto. Nasceu no lugar errado na hora errado?

Eu, ele e o bebê disse...

Olá Elton Hubner!!! Sempre cheio de fatos interessantes a contar...
Me diga, tudo bem com vc?
Abç,
Liz